Campinas se mobiliza para manter o Museu da Cidade no prédio Lidgerwood

Resistência é o sentimento de quem participou do debate sobre a situação do prédio que abriga o Museu da Cidade que fica na Av. Andrade Neves desde 1992. A edificação foi cedida pelo governo do estado de SP e pertence a Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), que não quer renovar o termo de cessão de uso do espaço, que vem sendo feita de dois em dois anos.

O prédio poderá ir a leilão caso Campinas não compre o espaço por R$ 3,8 milhões ou alugue por R$ 24 mil ao mês. Novamente, o Museu da Cidade corre o risco de perder o espaço como ocorreu na tentativa de alargar a Av. Lix da Cunha ou para construção de um túnel. Em 1992, houve forte mobilização e o Museu permaneceu no prédio.

Para homenagear o “abraço” de 1992 – símbolo da resistência – os participantes do debate pretendem resgatar o ato realizando um novo “abraço” no dia do aniversário da cidade em 14 de julho. “O Museu da Cidade tem atividades com grupos de catira, capoeira, violeiros e outros que mantém viva a memória da cidade. Por isso é tão importante sua permanência no local”, avaliou o historiador e fundador, Célio Turino no evento realizado pelo vereador Gustavo Petta (PCdoB) e que tem o apoio do vereador Paulo Bufalo (PSOL).

O prefeito Jonas Donizette (PSB) declarou interesse que a situação se resolva, então ele deveria falar com o governador, já que o seu partido e o do tucano dividem os governos no estado de São Paulo e em Campinas. Essa cumplicidade também deve existir para esses momentos. Nos últimos anos, o Museu da Cidade tem sido uma referência para a conservação do patrimônio imaterial”, aponta Paulo Bufalo que também está na luta pela preservação da memória na cidade como no Arquivo Municipal, assim como das pessoas que fazem a história.

Além do “abraço”, outros encaminhamentos foram tirados como verificar se o prédio possui dívida fiscal para com o município de Campinas e se há meios jurídicos que possibilite a transferência para a municipalidade com uso exclusivo para cultura. A prefeitura encaminhou ao governador Geraldo Alckmin (PDSB) pedido de renovação de comodado para 20 anos, com prazo maior seria possível a reforma no prédio.

Museu da Cidade

A resistência para manter o Museu da Cidade na antiga fábrica Lidgerwood mobilizou, desde a década de 1980, o historiador Célio Turino (secretário de cultura na época), o arquiteto Antonio da Costa Santos (ex-prefeito de Campinas) e muitos outros campineiros levando ao tombamento do prédio como patrimônio cultural, histórico e arquitetônico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultura de Campinas - Condepacc.

O Museu da Cidade reúne o acervo do Museu Histórico, Museu do Folclore e Museu do Índio, com 6 mil peças sobre a história de Campinas, com coleções de arqueologia, arte plumária e cestaria, objetos, quadros, biblioteca e arquivo.

Atualmente, o acervo foi transferido para a Estação Cultura por falta de condições em permanecer no prédio, que precisa de troca de telhado, nova instalação elétrica etc. E continua embalado.

Fábrica Lidgerwood

A primeira fábrica de fundição de ferro instalou-se em Campinas em 1884. A construção é de estilo neo gótico vitoriano, com tijolos aparentes e ferro fundido nas esquadrias das janelas, nas bandeiras das portas, janelas do corpo principal e nas grades do porão. Em 1890, a Lidgerwood mudou para São Paulo e manteve uma filial em Campinas até 1922, quando o edifício foi vendido.

Em 1928, nova venda para o estado, a Cia Paulista de Estradas de Ferro, que usou o prédio como depósito e com o tempo foi desativado. Em 1990, o prédio foi restaurado e tombado como patrimônio cultural, histórico e arquitetônico pelo Condepacc.

Com informações do site da prefeitura de Campinas.

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