Atesq solicita apoio à Câmara Municipal para nomear unidade de saúde

 Recurso para construção provém da ação judicial dos ex-trabalhadores

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A Associação de Trabalhadores Expostos à Substâncias Químicas – Atesq entregou ao presidente da Câmara Municipal de Campinas vereador Rafa Zimbaldi (PP), documento em que solicita apoio para identificar com nome de um ex-trabalhador referência no caso de contaminação de substâncias cancerígenas das empresas Shell-Basf, a unidade do Hospital de Câncer de Barretos em Campinas – o Centro de Diagnóstico, que está sendo construído próximo ao Hospital Mário Gatti. 

Na reunião (25/7) , o coordenador da Atesq, Francisco Tavares Gomes, explicou a proposta da entidade e a necessidade em preservar a história dessas vítimas como símbolo de luta pela vida e o meio ambiente. “Reconhecer essa luta é muito importante para nós ex-trabalhadores, muitos de nós perderam a vida nos últimos anos e outros estão com a saúde debilitada”, afirma. 

O vereador Paulo Bufalo (PSOL) que organizou a reunião destacou a importância do reconhecimento institucional. “Acompanhamos desde o início a organização da Atesq nessa luta e entendemos que essa identificação vai contribuir com a preservação da memória dessa história e da organização dos trabalhadores demonstrando respeito à essas pessoas”, disse. 

O presidente Rafa Zimbaldi encaminhará uma Moção sobre o pedido para sensibilizar a direção do Hospital de Câncer de Barretos. 

O pedido ressalta ainda a instalação de uma placa no hall de entrada do futuro Centro de Diagnóstico contendo a história dessa luta e a origem do recurso financeiro para a construção da unidade, que é proveniente do acordo judicial junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) da ação da Atesq e do Sindicato Químicos Unificados, com início em 2002 e encerrada em 2013. 

O valor referente à unidade é de R$ 69,9 milhões, do total de R$ 200 milhões da indenização destinados à saúde pública de trabalhadores”, disse Tavares. De acordo com a sentença, o recurso deve ser utilizado com foco na pesquisa e prevenção a escolha do Ministério Público do Trabalho. 

Em trecho do documento, a Atesq reforça importância da identificação ser do ex-trabalhador contaminado. “Tendo em vista o histórico do referido caso Shell-Basf e o sofrimento causado aos ex-trabalhadores, incluindo mortes precoces por câncer, e por entender a importância da preservação dessa memória para as futuras gerações, reivindicamos que envide esforços para que o reconhecimento dessa história seja formalizado”. 

O ofício também foi protocolado no Tribunal Regional do Trabalho 15ª Região, na Vara do Trabalho em Paulínia, no Ministério Público do Trabalho da 15ª Região, na Secretaria Municipal de Saúde e na fundação Pio XII que administra o Hospital do Câncer. 

 

Rasteiro (à esquerda) recebe Diploma de Honra ao Mérito do vereador Paulo Bufalo, em 2013, com muitos colegas presente inclusive a diretoria do Sindicato Químicos Unificados e seu coordenador geral, Arlei Medeiros (à direita).

Rasteiro (à esquerda) recebe Diploma de Honra ao Mérito do vereador Paulo Bufalo, em 2013, com muitos colegas presentes como Arlei Medeiros (à direita) da diretoria do Sindicato Químicos Unificados.

 

Identificação - O pedido da Atesq em identificar o prédio com nome de um ex-trabalhador da Shell como símbolo na luta pela vida no caso de contaminação de trabalhadores das empresas Shell-Basf partiu dos membros da Associação. A indicação do nome é de Antonio de Marco Rasteiro que segue como coordenador geral da entidade, desde sua fundação em 2006. Rasteiro foi trabalhador da Shell e vem representando os colegas pelo país ao levar a história e a coragem da luta.

 

Atesq protesta em frente ao Ministério Público do Trabalho. Foto: Sindicato Químicos Unificados

Atesq protesta em frente ao Ministério Público do Trabalho. Foto: Sindicato Químicos Unificados

 

Caso Shell-Basf

A contaminação dos ex-trabalhadores da Shell-Basf e de moradores do bairro Recanto dos Pássaros em Paulínia, começou a partir de 1970 com produtos químicos como os pesticidas clorados Aldrin, Endrin e Dieldrin, compostos por substâncias cancerígenas. Até o momento morreram 76 ex-trabalhadores.

No início de 2002, o descaso das multinacionais levou o Sindicato Químicos Unificados – Regional de Campinas a entrar com uma ação na Justiça por atendimento médico vitalício aos trabalhadores e suas famílias. Em 2006, um grupo de ex-trabalhadores fundaram a Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas – Atesq.

A conquista dos ex-trabalhadores finalmente chegou, em audiência no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília ,em 08 de abril de 2013, com decisão favorável, após 12 anos de vaivéns na Justiça, em primeira e segunda instâncias. Fizeram parte do processo, 1.068 pessoas, entre ex-trabalhadores e dependentes. 

 

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