A energia do sol

Nas proximidades de mais um Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado neste dia, dois dos temas mais relevantes a serem discutidos são: o uso racional da água e o outro, ligado diretamente a este, que é a economia de energia elétrica, que, no Brasil, cerca de 75% é gerada através de usinas hidrelétricas.
A energia solar, enquanto fonte de energia limpa, segura e renovável, é uma excelente alternativa, que pode tanto substituir como ser transformada em outras formas de energia. Entre suas aplicações, as mais conhecidas são as térmicas, onde a luz do sol é absorvida pelas superfícies de um coletor e transformada diretamente em calor. Não custa lembrar que o território brasileiro é pródigo em incidência da luz solar.
Esta tecnologia é usada, por exemplo, em aquecedores de água que podem substituir torneiras e chuveiros elétricos levando, segundo estudos técnicos, à economia da ordem de 30% a 40% do consumo de energia de uma residência.
Naturalmente esta redução beneficiará diretamente na preservação das outras fontes de energia, favorecendo o meio-ambiente, em particular a geração de energia elétrica, cuja demanda cresce proporcionalmente ao crescimento de seu custo.
Assim, a implementação da energia solar deveria se impor na pauta nacional da matriz energética, mas seu uso ainda é muito tímido no país, apesar dos benefícios econômicos, sociais e ambientais.
Um dos fatores dessa baixa adesão recai sobre os investimentos iniciais, que são maiores em relação a outros tipos de aquecedores. Outro fator deve-se à própria cultura de utilização da energia elétrica e a relativa “facilidade” em acessá-la, apesar de seu custo cada vez mais elevado e dos impactos que a construção de barragens para formação dos lagos quem alimentam as usinas hidrelétricas causam aos ecossistemas e, em muitos casos, aos patrimônios históricos e culturais.
Estes fatores vêm sendo enfrentados com educação, pesquisa e desenvolvimento de alternativas menos custosas e acessíveis à população. Porém é fundamental que o tema seja tratado enquanto política pública, tanto do ponto de vista ambiental como social. Isso requer, portanto, recursos públicos de todas as esferas de governo, que viabilizem e ampliem o uso desta tecnologia a quem não tem acesso a ela.
Daí a necessidade dos governos locais usarem essa tecnologia e criarem programas de incentivos ao uso da energia solar e de investimentos diretos nos casos de comunidades que, mesmo com os incentivos, não têm condições financeiras de adotá-la.
Nesse sentido, a Câmara Municipal de Campinas deu um importante passo ao aprovar o projeto de lei 315/2007, de minha autoria, que “institui no município de Campinas o programa de incentivos ao uso de energia solar nas edificações, com objetivo de promover medidas necessárias ao fomento do uso e ao desenvolvimento tecnológico de sistemas de aproveitamento da energia solar para o aquecimento da água em imóveis e de conscientização da população sobre os benefícios da energia solar”, que agora, aguarda sanção do Prefeito.
É preciso salientar, porém, que de toda energia elétrica consumida, juntando uso residencial e público das zonas urbanas e rurais inclusive toda iluminação pública atinge 41,7% do consumo, segundo dados do
 Atlas de Energia Elétrica do Brasil (2ª edição). Isso significa dizer que 58,3 % é de uso industrial e comercial e que sem o empenho de busca por alternativas com recursos do próprio setor privado para resolução de sua demanda não há programa de incentivo que baste.
Paulo Bufalo – professor e engenheiro, presidente estadual do PSOL/SP
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