A luta continua!

Em todo País, as eleições municipais foram marcadas pela despolitização e pela prevalência do poder econômico. Os reflexos deste quadro estão nos resultados, principalmente nos grandes centros urbanos, onde os atuais governos acabaram sendo reeleitos, elegendo seus sucessores ou estão no segundo turno.

Seria muito positivo se esses resultados refletissem decisões espontâneas e conscientes, pautadas por princípios essencialmente democráticos. Mas não é bem esta a situação.

A escassez da política durante o processo eleitoral foi motivada pela ausência de diferenciais entre os projetos dos maiores partidos e de seus aliados. Eles sequer apresentaram seus programas.

Aliás, as alianças entre partidos que historicamente foram adversários são os principais exemplos das semelhanças entre os programas da velha política. Tais alianças não são “modernidades” da política ou “generosidades” em nome do povo das cidades, mas sim um salto para a vala comum, onde a política está sendo jogada deliberadamente pela maioria dos partidos.

Como não existem diferenças de programas, princípios e valores, a decisão se orienta pela escolha do melhor “gerente” para o mesmo projeto.

Neste sentido, a eleição que deveria ser decidida pelos debates políticos dos reais problemas que afetam a população e a cidade, acaba sendo tomada pela propaganda “empacotada” por “marqueteiros”, pagos a peso de ouro para venderem ilusões à população.

Este pacote, frente à insuficiência ou à ausência de políticas públicas em áreas como educação, saúde, cultura, habitação, oferece mais do mesmo remédio, mas, de forma aparentemente diferente. Diz, por exemplo, que fará “mais e melhor” nas áreas sociais, sem discutir uma vírgula sobre o padrão de desenvolvimento que concentra a riqueza nas mãos de poucos, sobre a política fiscal regressiva que tira mais com impostos daqueles que têm menos recursos, ou ainda, sobre a prioridade dada aos banqueiros em detrimento das políticas de atendimento.

É como se isso tudo não tivesse qualquer importância na vida das pessoas, mas, lamentavelmente tem tudo a ver. Porém, foi deliberadamente afastado do debate eleitoral.

O outro elemento decisivo das eleições é o poder econômico. Isso se expressa no financiamento das campanhas e pode ser percebido nas superproduções audiovisuais de peças que mais se assemelham a contos de fadas, na contratação de um verdadeiro exército de cabos eleitorais ou ainda, no grande volume de materiais espalhados pela cidade.

Quem pagará esta conta? O que leva uma empresa ou um banco a financiar candidaturas num processo eleitoral? Num caso de conflito de interesses durante o governo, o que prevalecerá? O interesse do financiador de campanha ou da cidade?

Evidente que o debate destas questões, que poderia ajudar na decisão de uma eleição, também não foi colocado na pauta em nome da estabilidade do processo e da manutenção do poder e do projeto hegemônico. Entre os métodos para manter esta hegemonia estão: a desarticulação dos movimentos sociais e o total controle dos processos decisórios, como ocorreu nestas eleições.

Ao decidir pela disputa da Prefeitura pela Frente de Esquerda (PSOL, PSTU e PCB), tínhamos a exata noção dos desafios que enfrentaríamos. Mantivemos erguidas às bandeiras das lutas populares e da esquerda e apresentamos um programa para além de um tratado de boas intenções; apontando as raízes dos problemas da cidade e propondo políticas concretas para enfrentar as demandas do povo campineiro e democratizar o poder local.

Honramos a tradição da esquerda, que muitos abandonaram. Com a militância nas ruas e com recursos exclusivos dos lutadores que acreditam na construção de uma sociedade solidária, socialmente justa, que rejeite as desigualdades e que respeite as diferenças.

Assim, agradecemos os mais de 10 mil votos na candidatura a Prefeito e na nossa chapa de vereadores (as). Para nós socialistas, a política não se resume às eleições, tampouco na ocupação de espaços institucionais, embora sejam importantes.

Atuamos na política para transformar a sociedade e construir um novo mundo. Seguiremos denunciando o atual modelo, contaminado pela corrupção e pela prioridade dos interesses privados aos interesses públicos e buscaremos caminhos de sua superação, pois, a luta continua sempre.

Paulo Bufalo é presidente estadual do PSOL-SP – Artigo publicado no Jornal Correio Popular em 22/10/2008 e no Jornal Comércio do Jahu em 31/10/2008

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