Prefeitura quer destruir atendimento em Saúde Mental

Na semana em que foi comemorado o dia da luta antimanicomial, 18 de maio, a Prefeitura de Campinas anunciou cortes de 30% dos recursos destinados à saúde mental da cidade. Isso demonstra que a Administração Municipal pretende destruir uma das áreas de atendimento, mais sensíveis da saúde pública e que, no atual momento da humanidade, deveria ter prioridade absoluta.

Como se não bastasse, os números de contratações previstos, no edital de concurso publicado recentemente, reforçam a constatação do abandono, pois em alguns cargos representam  apenas 10% do número necessário para atendimento da demanda.

Leia trecho do manifesto dos trabalhadores da saúde mental dirigido à população de Campinas:

Prefeitura quer cortar 30% da verba para Saúde Mental em Campinas Vamos impedir mais esse retrocesso para a Saúde!

A uma semana do Dia da Luta Antimanicomial (18/maio), em que discutimos o fim dos manicômios e as formas de tratamento violento das pessoas com sofrimento mental, a Secretaria Municipal de Saúde anunciou na última sexta-feira (11/maio) que a Prefeitura não destinará dinheiro suficiente para manter as equipes de Saúde Mental da nossa cidade. De R$ 5,6 milhões mensais necessários para o convênio “Saúde Mental” com o Cândido Ferreira, a Prefeitura disponibilizará somente R$ 3,9 milhões (um corte de 30%).

Com isso, boa parte do planejamento para manutenção e ampliação da rede, já  sobrecarregada, não será cumprida. 

Parte considerável do Convênio deve ser cortada, o que significa:

Os profissionais de Saúde Mental (Psiquiatras, Terapeutas Ocupacionais, Psicólogos) que atendem nos Centros de Saúde devem ser demitidos sem reposição.

Nenhum serviço novo será implantado, como CAPS Álcool e Drogas 24 horas e Unidade de Acolhimento Transitório, essenciais para o tratamento dessa população.

Os CAPS, já no seu limite de atendimento, e muitos com equipes reduzidas, ficarão ainda mais superlotados, diminuindo a qualidade.

Além disso, o tão esperado concurso para suprir os trabalhadores do “Cândido

Ferreira” nos serviços de saúde ainda não aconteceu. As 540 vagas sinalizadas para todas as áreas da Prefeitura são insuficientes, já que são pelo menos 650 os que faltam de reposição dos trabalhadores Cândido. As pessoas que estão pedindo demissão não estão sendo repostas, gerando mais sobrecarga e desassistência no SUS de Campinas.

Em plena Semana da Luta Antimanicomial, vivemos um grande retrocesso na

Saúde Mental de Campinas, pois a cidade que já foi exemplo para o país do cuidar sem trancar, hoje vive a incerteza do cuidar com qualidade e dignidade em toda a rede de Saúde.

Exigimos que a Prefeitura de Campinas reveja essa decisão!

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