A arte na formação de docentes em 9º Encontro

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Pedagogia Macunaíma e pensamento descolonizante

A professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Ana Lúcia Goulart de Faria fez várias provocações aos participantes do 9º Encontro do curso de “Pernas pro ar”, com o tema Arte e cultura na formação de docentes que trabalham com crianças, que ocorreu em 16 de outubro, realizado pelo Mandato do vereador Paulo Bufalo (PSOL). A principal delas foi para que o público saísse do lugar comum e ‘descolonizasse’ o pensamento nas atividades pedagógicas da educação infantil. É preciso ver o que de fato é inovar do que é pensamento descolonizante”, apontou.

Ainda sobre descolonizar o pensamento Ana Lúcia continuou, “devemos questionar a forma europeia e branca que se constituiu a educação brasileira e considerar as culturas diferentes e as diversas formas de viver. Na educação infantil pode-se ter muitas práticas culturais, lembrar que nós não somos a Europa e não reforçar os esteriótipos. Por exemplo, na festa junina tem a criança com dente pintado de preto e roupa remendada. Porque o homem do campo tem que ser representado sem dente e de roupa velha? É uma forma discriminadora e racista por isso é preciso descolonizar o pensamento”, ressaltou.

Ao falar da arte na educação infantil, a professora apresentou o conceito do ensino da cultura brasileira desenvolvido pelo escritor Mário de Andrade, enquanto diretor no Departamento de Cultura de São Paulo, em 1935. Para Mário de Andrade, a arte não é privilégio de alguns, é qualquer forma de se manifestar, portanto, todos têm direito à arte e de fazer arte. “Por isso, há muitos estudos acadêmicos com bebês, de zero a três anos. A formação do professor em arte é quase inexistente e a arte deveria ser considerada como formação humana”, destaca Ana Lúcia.

O sociólogo Florestan Fernandes dedicou-se a estudar Mário de Andrade, autor do livro Macunaíma, e apresentou a Pedagogia Macunaíma. Para Florestan, o personagem herói representa o povo brasileiro: mestiço, não só fisicamente, mas também nas ideias, tendo grande diversidade cultural.

 

Curiosidades: Parque infantil e creches

Mário de Andrade criou, em 1935, o “Parque infantil” – uso do espaço público – parques e praças, para cerca de 400 crianças pobres e filhos de operários, daí o alambrado nas unidades escolares. No local tinha brincadeiras, ginástica, jogos, torneios, desenhos, leitura e outras atividades. “O cotidiano dos parques era bastante diferente do escolar. Neles, as crianças só brincavam, é o que se assemelha a creche hoje, por isso mesmo é extremamente difícil ser professor de educação infantil”, explica Ana Lúcia ao se referir a aplicação de práticas pedagógicas e uso de brincadeiras e da arte na educação infantil. Campinas foi um dos 9 municípios do estado de São Paulo a ter o Parque infantil – localizado na Av. João Jorge, em frente ao Batalhão de Polícia.

A creche surge também como demanda para atender os filhos da classe trabalhadora na década de 1950, e só na Constituição de 1988, foi colocada como direito da família e dever do Estado.

 

Prejuízos no PME

Morando na Suécia, Ana Lúcia acredita que a educação sofreu muitos prejuízos com o Plano Municipal de Educação – PME aprovado em Campinas, já que o documento será referência pelos próximos 10 anos. Ela acompanhou, à distância, o processo de aprovação do PME e lamentou a ausência das palavras gênero e diversidade sexual na formação continuada e no cotidiano escolar, não só para os servidores como também para os trabalhadores das naves-mães.

 

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